São princípios de bem viver, adotados no REIKI pelo mestre Mikaomi Usui, estabelecidos pelo
Imperador Meiji (1869 - 1912) – época da conhecida restauração Meiji, quando o Japão passou
por uma fase de grande progresso e transformação. Os princípios visam nosso desenvolvimento espiritual e devem ser praticados por todos, reikianos ou não.
Só por hoje, não se preocupe.
Só por hoje, não fique zangado.
Só por hoje, seja grato as bênçãos que recebe.
Só por hoje, trabalhe arduamente.
Só por hoje, seja amável com todos os seres vivos.
1º princípio: Só por hoje, não se preocupe.
Preocupamos–nos porque os acontecimentos podem se desenrolar diferentes do que esperamos e desejamos, levando em conta somente as nossas vantagens. A origem da preocupação é o medo. Não adianta "carregar" os fatos ocorridos no passado, pense que fez naquele momento o melhor que podia.
A história dos monges retrata bem "o carregar". Dois monges saíram do mosteiro onde viviam para ir a outra cidade. No caminho encontraram uma moça chorando sentada à beira do rio. Um dos monges perguntou–lhe porque chorava e esta explicou que não podia voltar para casa, pois era de baixa estatura e a água do rio havia subido muito. O monge pegou – a nos braços e atravessou o rio, com ela no colo e, na outra margem, colocou-a no chão. A moça agradeceu, sorridente e feliz foi para sua casa. Os monges continuaram seu caminho. Muitas horas depois, o monge que não havia carregado a moça falou ao outro: "Nós fizemos votos de não tocar em mulheres e você pegou aquela moça nos braços." O monge respondeu: "Há mais de duas horas coloquei-a no chão. E você ainda a está carregando?"
Não se desgaste , preocupando- se com o futuro. Ele será o reflexo do que semearmos agora, no presente. Lembre-se: em tudo que acontece, existe um propósito Divino. 2º princípio : só por hoje. Não se irrite.
O descontrole emocional acarreta a perda da nossa sintonia com a energia universal, além de atrair vibrações densas. Uma maneira eficaz de lidar com a irritação é quando ela acontecer. Parar, reconhecê-la, refletir, e depois deixá-la ir...para sempre. Assim que paramos de nos identificar com a emoção negativa, ela se dissipa. Não devemos alimentar a raiva nem o ressentimento, mas expressar as nossas emoções honestamente, sem reprimi-las. A repressão das emoções é um processo que pode induzir às doenças. Procuremos viver em harmonia.
3º princípio: só por hoje, seja grato às bênçãos que recebe.
O "mau" e o "bom" fazem parte de tudo na vida. Resta-nos experimentar, enxergar cada nova experiência com novos olhos.
Devemos nos lembrar sempre da história de "os males que vêm para bem": Um homem vivia numa pequena aldeia e era muito pobre, só tinha um cavalo e se recusava a vendê-lo porque o considerava um amigo. Os habitantes do vilarejo, achavam-no estúpido, porque poderia vender o animal e acabar com sua pobreza.
Um dia, o cavalo fugiu, os aldeões concluíram que o animal havia sido roubado e melhor teria sido que o homem o tivesse vendido. Isto era um mau. O homem disse para não tirarem conclusões tão depressa e, que o único fato concreto é que o animal não estava mais lá. Dias depois, o cavalo voltou trazendo dezenas de cavalos selvagens. Os aldeões disseram que isto era bom, mas o homem disse para verem os fatos e não só um pequeno fragmento da realidade sem conhecer o todo.
O filho mais velho do homem começou a domar os cavalos e a vendê-los. O rapaz, um dia caiu de uns dos cavalos e quebrou a perna. Os aldeões acharam que isso era uma calamidade, pois o rapaz era o único a ajudar o pai. Mas, o homem continuava firme em não julgar. Logo depois, estourou uma guerra com o reino vizinho. Todos os jovens foram convocados, menos o filho incapacitado do homem... Essa história não tem fim.
Tentemos, portanto, cultivar o hábito saudável de não julgar e agradecer, não importando o que aconteça. 4º princípio: só por hoje, trabalhe arduamente.
Trabalho árduo é trabalhar em nós mesmos, dedicando-nos e devotando-nos ao nosso crescimento espiritual.
Os valores e méritos espirituais são muito diferentes dos mundanos.
5º princípio: só por hoje, seja amável com todos os seres vivos.
"Ninguém possui todas as qualidades, Deus as distribuiu entre todos, para que precisássemos uns dos outros"
Santa Catarina de Siena
Viemos da mesma Fonte de Vida e, estamos todos interligados. É importante aprender a tratar todas as formas de vida com amor e respeito porque necessitamos de todas elas.
Esta benevolência com todos os seres, e todos os reinos, inclui você. Seja amoroso com seu corpo, cuidando dele com amor, respeitando- o, pois ele é seu templo enquanto estiver aqui.
Mestre Mikaomi Usui
Mestra Master de Reiki Usui e Nossa Terra Zaira
Quando se é jovem ou imaturo, imagina-se que ter paz é poder fazer o que se quer, repousar, ficar em silêncio e jamais enfrentar uma contradição ou uma decepção.
A paz está no dinamismo da vida, na esperança, na confiança, na fé...
Ter paz é ter a consciência tranqüila, a certeza de que se fez o melhor ou tentou...
É assumir responsabilidades e cumpri-las, é ter serenidade nos momentos mais difíceis da vida. Ter coração que ama...
É não querer que os outros se modifiquem para nos agradar, é respeitar as opiniões contrárias, é esquecer as ofensas. É ter forças para voltar atrás, pedir perdão, refazer o caminho, agradecer... É a tranqüilidade de aceitar os outros como são e a disposição para mudar as próprias imperfeições.
Às vezes, para manter a paz é preciso usar um poderoso aliado chamado silêncio.
O silêncio é a gentileza do perdão que se cala e espera o tempo, por isso é uma poderosa ferramenta para construir e manter a paz.
Pense nisso!
No mundo inteiro, não há nada mais fluido e suave do que a água.
No entanto, para atacar o que é duro nada se iguala a ela.
Nada pode mudar isso...
A fraqueza vence a força, a suavidade vence a dureza.
Todos na terra o sabem, mas ninguém é capaz de agir assim!
(Lao Tse)
Andando, o principezinho encontrou um jardim cheio de rosas.
Contemplou-as... Eram todas iguais à sua flor.
E deitado na relva, ele chorou...
E foi então que apareceu a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Que quer dizer "cativar”?
- É uma coisa muito esquecida. Significa criar laços...
Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.
Eu não tenho necessidade de ti e tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, teremos necessidade um do outro.
Serás para mim, único no mundo. E eu serei para ti, única no mundo.
Minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. O teu passo me chamará para fora da toca, como se fosse música.
A gente só conhece bem as coisas que cativou.
- Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada.
A linguagem é uma fonte de mal-entendidos.
Cada dia te sentará mais perto... Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três, eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar... A gente corre o risco de chorar um pouco, quando se deixou cativar.
E acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua, é a única no mundo.
É simples, o segredo: só se vê bem com o coração.
O essencial é invisível para os olhos. Foi o tempo que perdeste com tua rosa, que fez tua rosa tão importante. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar...
" Os homens do teu planeta, disse o principezinho, cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim...e nunca encontram o que procuram...
E no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa, ou num pouquinho de água...Mas os olhos são cegos.
É preciso buscar com o coração..."
(Antoine De Saint- Exupéry)
A prática da mente alerta, como exposta pelo Tai, ajuda-nos a ter a plena consciência do que está acontecendo.
A energia de que precisamos para reagir às situações de sofrimento, mencionadas em cada treinamento, não é a do medo ou da raiva; é a energia da compreensão e da compaixão. Não há necessidade de acusar e condenar.
Aqueles que estão destruindo a si mesmos, suas famílias e a sociedade em que vivem nem sempre o fazem intencionalmente. Sua dor e solidão os dominam, e eles querem livrar-se delas. Precisam ser ajudados e não punidos.
Os treinamentos para a mente alerta, a concentração e o discernimento estão interligados. Praticar os treinamentos para a mente alerta aumenta a concentração, e a concentração é necessária para o discernimento. A mente alerta é a base da concentração, a concentração permite-nos olhar mais profundamente e o discernimento é o fruto do olhar profundo. Quando estamos bem conscientes, podemos observar que, deixando de fazer "isto", evitamos que "aquilo" aconteça.
Este tipo de discernimento não nos é imposto por uma autoridade exterior. É fruto da nossa própria observação. Praticar os treinamentos para a mente alerta ajuda-nos, pois, a ser mais calmos e concentrados e traz mais discernimento e iluminação, que tornam a nossa prática dos treinamentos para a mente alerta mais sólida.
"O domínio dos gestos começa por uma tomada de consciência. Eis um exercício muito simples, mas muito precioso: abri a vossa mão direita, concentrai o vosso pensamento no seu centro e depois, suavemente, lentamente, dobrai os dedos aplicando toda a vossa atenção nesse movimento até terdes fechado o punho. Parai por um momento e concentrai a vossa energia no punho fechado; depois, lentamente, soltai a pressão dos dedos e abri a mão… Fazei este exercício pondo nele toda a vossa consciência. Vereis que, pouco a pouco, conseguireis ter um maior domínio dos vossos gestos. Basta fazer este exercício uma vez, não vos tornareis mais fortes fazendo-o vinte vezes de seguida, mas fazei-o todos os dias e como deve ser."
Omraam Mikhaël Aïvanhov
Na natureza tudo acontece com poder e silêncio, com um silêncio
poderoso; por vezes, o silêncio é confundido com fraqueza, apatia ou
indiferença. Pensa-se que a pessoa portadora dessa virtude está
impedida de reclamar seus direitos e deve tolerar com passividade
todos os abusos. Acredita-se que o silêncio não combina com o poder,
pois este tem se confundido com prepotência e violência.
O Sol nasce e se põe em profunda quietude; move gigantescos sistemas
planetários, mas penetra suavemente pela vidraça de uma janela sem a
quebrar. Acaricia as pétalas de uma rosa sem a ferir, e beija as
faces de uma criança adormecida sem a acordar; aí uma vez vamos
encontrar na natureza lições preciosas a nos dizer que o verdadeiro
poder anda de mãos dadas com a quietude.
As estrelas e galáxias descrevem as suas órbitas com estupenda
velocidade pelas vias inexploradas do cosmos, mas nunca deram sinal
da sua presença pelo mais leve ruído.
O oxigênio, poderoso mantenedor da vida, penetra em nossos pulmões,
circula discreto pelo nosso corpo, e nem lhe notamos a presença. A
luz, a vida e o espírito, os maiores poderes do universo, atuam com a
suavidade de uma aparente ausência. Como nos domínios da natureza, o
verdadeiro poder do homem não consiste em atos de violência física,
quando um homem conquista o verdadeiro poder, toda a antiga violência
acaba em benevolência.
A violência é sinal de fraqueza, a benevolência é indício de poder.
Os grandes mestres sabem ser severos e rigorosos sem renegarem a mais
perfeita quietude e benevolência.
Deus , que é o supremo poder, age com tamanha quietude que a maioria
dos homens nem percebem a Sua ação. Essa poderosa força, na qual
todos estamos mergulhados, mantém o Universo em movimento, faz pulsar
o coração dos pássaros, dos bandidos e dos homens de bem, na mais
perfeita leveza. Até mesmo a morte, chega de mansinho e, como hábil
cirurgiã, rompe os laços que prendem a alma ao corpo, libertando-a do
cativeiro físico.
O verdadeiro poder chega: sem ruído, sem alarde e sem violência.
Sempre que a palavra poder lhe vier à mente, lembre-se do Sol : nasce
e se põe em profunda quietude; move gigantescos sistemas planetários,
mas penetra suavemente pela vidraça de uma janela e você só sabe pelo
calorzinho que ele proporciona.... Acarinha as pétalas de uma flor
sem a ferir, beija as faces de uma criança adormecida sem a
acordar. "Bem aventurados os mansos, porque eles possuirão a Terra".
Era uma vez, em tempo nenhum, uma Pequena Alma que disse a Deus:
- Eu sei quem sou! E Deus disse:
- Que bom! Quem és tu? E a Pequena Alma gritou:
- Eu sou Luz! E Deus sorriu.
- É isso mesmo! - exclamou Deus. - Tu és Luz!
A Pequena Alma ficou muito contente, porque tinha descoberto aquilo que todas as almas do Reino deveriam descobrir.
- Uauu, isto é mesmo bom! - disse a Pequena Alma. Mas, passado pouco tempo, saber quem era já não lhe chegava. A pequena Alma sentia-se agitada por dentro, e agora queria ser quem era. Então foi ter com Deus ( o que não é má idéia para qualquer alma que queira ser Quem Realmente É ) e disse:
- Olá Deus! Agora que sei Quem Sou, posso sê-lo?
E Deus disse:
- Quer dizer que queres ser Quem já És?
- Bem, uma coisa é saber Quem Sou, e outra coisa é sê-lo mesmo. Quero sentir como é ser a Luz! - respondeu a pequena Alma.
- Mas tu já és Luz - repetiu Deus, sorrindo outra vez.
- Sim, mas quero senti-lo! - gritou a Pequena Alma.
- Bem, acho que já era de esperar. Tu sempre foste aventureira - disse Deus com uma risada. Depois a sua expressão mudou:
- Há só uma coisa...
- O quê? - perguntou a Pequena Alma.
- Bem, não há nada para além da Luz. Porque eu não criei nada para além daquilo que tu és; por isso, não vai ser fácil experimentares-te como Quem És, porque não há nada que tu não sejas.
- Hã? - disse a Pequena Alma, que já estava um pouco confusa.
- Pensa assim: tu és como uma vela ao Sol. Estás lá sem dúvida. Tu e mais milhões, zilhões de outras velas que constituem o Sol. E o Sol não seria o Sol sem vocês. 'Não seria um sol sem uma das suas velas... e isso não seria de todo o Sol, pois não brilharia tanto. E no entanto, como podes conhecer-te como a Luz quando estás no meio da Luz - eis a questão'.
- Bem, tu és Deus. Pensa em alguma coisa! - disse a Pequena Alma mais animada.
Deus sorriu novamente.
- Já pensei. Já que não podes ver-te como a Luz quando estás na Luz, vamos rodear-te de escuridão - disse Deus.
- O que é a escuridão? perguntou a Pequena Alma.
- É aquilo que tu não és - replicou Deus.
- Eu vou ter medo do escuro? - choramingou a Pequena Alma. - - Só se o escolheres. Na verdade não há nada de que devas ter medo, a não ser que assim o decidas. Porque estamos a inventar tudo. Estamos a fingir.
- Ah! - disse a Pequena Alma, sentindo-se logo melhor. Depois Deus explicou que, para se experimentar o que quer que seja, tem de aparecer exactamente o oposto.
- É uma grande dádiva, porque sem ela não poderíamos saber como nada é - disse Deus - Não poderíamos conhecer o Quente sem o Frio, o Alto sem o Baixo, o Rápido sem o Lento. Não poderíamos conhecer a Esquerda sem a Direita, o Aqui sem o Ali, o Agora sem o Depois. E por isso, - continuou Deus - quando estiveres rodeada de escuridão, não levantes o punho nem a voz para amaldiçoar a escuridão. 'Sê antes uma Luz na escuridão, e não fiques furiosa com ela. Então saberás Quem Realmente És, e os outros também o saberão. Deixa que a tua Luz brilhe tanto que todos saibam como és especial!'
- Então posso deixar que os outros vejam que sou especial? -perguntou a Pequena Alma.
- Claro! - Deus riu-se. - Claro que podes! Mas lembra-te de que 'especial' não quer dizer 'melhor'! Todos são especiais, cada qual à sua maneira! Só que muitos esqueceram-se disso. Esses apenas vão ver que podem ser especiais quando tu vires que podes ser especial!
- Uau - disse a Pequena Alma, dançando e saltando e rindo e pulando.
- Posso ser tão especial quanto quiser!
- Sim, e podes começar agora mesmo - disse Deus, também dançando e saltando e rindo e pulando juntamente com a Pequena Alma
- Que parte de especial é que queres ser?
- Que parte de especial? - repetiu a Pequena Alma. - Não estou a perceber.
- Bem, - explicou Deus - ser a Luz é ser especial, e ser especial tem muitas partes. É especial ser bondoso. É especial ser delicado. É especial ser criativo. É especial ser paciente. Conheces alguma outra maneira de ser especial? A Pequena Alma ficou em silêncio por um momento. - Conheço imensas maneiras de ser especial! - exclamou a Pequena Alma
- É especial ser prestável. É especial ser generoso. É especial ser simpático. É especial ser atencioso com os outros.
- Sim! - concordou Deus - E tu podes ser todas essas coisas, ou qualquer parte de especial que queiras ser, em qualquer momento. É isso que significa ser a Luz.
- Eu sei o que quero ser, eu sei o que quero ser! - proclamou a Pequena Alma com grande entusiasmo. - Quero ser a parte de especial chamada 'perdão'. Não é ser especial alguém que perdoa?
- Ah, sim, isso é muito especial, assegurou Deus à Pequena Alma.
- Está bem. É isso que eu quero ser. Quero ser alguém que perdoa. Quero experimentar-me assim - disse a Pequena Alma. - Bom, mas há uma coisa que devias saber - disse Deus.
A Pequena Alma já começava a ficar um bocadinho impaciente. Parecia haver sempre alguma complicação.
- O que é? - suspirou a Pequena Alma.
- Não há ninguém a quem perdoar.
- Ninguém? A Pequena Alma nem queria acreditar no que tinha ouvido.
- Ninguém! - repetiu Deus. Tudo o que Eu fiz é perfeito. Não há uma única alma em toda a Criação menos perfeita do que tu. Olha à tua volta. Foi então que a Pequena Alma reparou na multidão que se tinha aproximado. Outras almas tinham vindo de todos os lados - de todo o Reino - porque tinham ouvido dizer que a Pequena Alma estava a ter uma conversa extraordinária com Deus, e todas queriam ouvir o que eles estavam a dizer. Olhando para todas as outras almas ali reunidas, a Pequena Alma teve de concordar. Nenhuma parecia menos maravilhosa, ou menos perfeita do que ela. Eram de tal forma maravilhosas, e a Luz de cada uma brilhava tanto, que a Pequena Alma mal podia olhar para elas.
- Então, perdoar quem? - perguntou Deus.
- Bem, isto não vai ter graça nenhuma! - resmungou a Pequena Alma - Eu queria experimentar-me como Aquela que Perdoa. Queria saber como é ser essa parte de especial. E a Pequena Alma aprendeu o que é sentir-se triste. Mas, nesse instante, uma Alma Amiga destacou-se da multidão e disse:
- Não te preocupes, Pequena Alma, eu vou ajudar-te - disse a Alma Amiga.
- Vais? - a Pequena Alma animou-se. - Mas o que é que tu podes fazer?
- Ora, posso dar-te alguém a quem perdoares!
- Podes?
- Claro! - disse a Alma Amiga alegremente. - Posso entrar na tua próxima vida física e fazer qualquer coisa para tu perdoares.
- Mas porquê? Porque é que farias isso? - perguntou a Pequena Alma.
- Tu, que és um ser tão absolutamente perfeito! Tu, que vibras a uma velocidade tão rápida a ponto de criar uma Luz de tal forma brilhante que mal posso olhar para ti! O que é que te levaria a abrandar a tua vibração para uma velocidade tal que tornasse a tua Luz brilhante numa luz escura e baça? O que é que te levaria a ti, que danças sobre as estrelas e te moves pelo Reino à velocidade do pensamento, a entrar na minha vida e a tornares-te tão pesada a ponto de fazeres algo de mal?
- É simples - disse a Alma Amiga. - Faço-o porque te amo.
A Pequena Alma pareceu surpreendida com a resposta.
- Não fiques tão espantada - disse a Alma Amiga - tu fizeste o mesmo por mim. Não te lembras? Ah, nós já dançámos juntas, tu e eu, muitas vezes. Dançámos ao longo das eternidades e através de todas as épocas. Brincamos juntas através de todo o tempo e em muitos lugares diferentes. Só que tu não te lembras. Já fomos ambas o Todo. Fomos o Alto e o Baixo, a Esquerda e a Direita. Fomos o Aqui e o Ali, o Agora e o Depois. Fomos o Masculino e o Feminino, o Bom e o Mau - fomos ambas a vítima e o vilão. Encontramo-nos muitas vezes, tu e eu; cada uma trazendo à outra a oportunidade exata e perfeita para Expressar e Experimentar Quem Realmente Somos. - E assim, - a Alma Amiga explicou mais um bocadinho - eu vou entrar na tua próxima vida física e ser a 'má' desta vez. Vou fazer alguma coisa terrível, e então tu podes experimentar-te como Aquela Que Perdoa.
- Mas o que é que vais fazer que seja assim tão terrível? - perguntou a Pequena Alma, um pouco nervosa.
- Oh, havemos de pensar nalguma coisa - respondeu a Alma Amiga, piscando o olho. Então a Alma Amiga pareceu ficar séria, disse numa voz mais calma:
- Mas tens razão acerca de uma coisa, sabes?
- Sobre o quê? - perguntou a Pequena Alma. - Eu vou ter de abrandar a minha vibração e tornar-me muito pesada para fazer esta coisa não muito boa. Vou ter de fingir ser uma coisa muito diferente de mim. E por isso, só te peço um favor em troca.
- Oh, qualquer coisa, o que tu quiseres!- exclamou a Pequena Alma, e começou a dançar e a cantar:
- Eu vou poder perdoar, eu vou poder perdoar! Então a Pequena Alma viu que a Alma Amiga estava muito quieta.
- O que é? - perguntou a Pequena Alma. - O que é que eu posso fazer por ti? És um anjo por estares disposta a fazer isto por mim!
- Claro que esta Alma Amiga é um anjo! - interrompeu Deus, - são todas! Lembra-te sempre: Não te enviei senão anjos. E então a Pequena Alma quis mais do que nunca satisfazer o pedido da Alma Amiga.
- O que é que posso fazer por ti? - perguntou novamente a Pequena Alma.
- No momento em que eu te atacar e atingir, - respondeu a Alma Amiga - no momento em que eu te fizer a pior coisa que possas imaginar, nesse preciso momento...
- Sim? - interrompeu a Pequena Alma
- Sim?
A Alma Amiga ficou ainda mais quieta.
- Lembra-te de Quem Realmente Sou.
- Oh, não me hei de esquecer! - gritou a Pequena Alma - Prometo! Lembrar-me-ei sempre de ti tal como te vejo aqui e agora.
- Que bom, - disse a Alma Amiga - porque, sabes, eu vou estar a fingir tanto, que eu própria me vou esquecer. E se tu não te lembrares de mim tal como eu sou realmente, eu posso também não me lembrar durante muito tempo. E se eu me esquecer de Quem Sou, tu podes esquecer-te de Quem És, e ficaremos as duas perdidas. Então, vamos precisar que venha outra alma para nos lembrar às duas Quem Somos.
- Não vamos, não! - prometeu outra vez a Pequena Alma. - Eu vou lembrar-me de ti! E vou agradecer-te por esta dádiva - a oportunidade que me dás de me experimentar como Quem Eu Sou.
E assim o acordo foi feito. E a Pequena Alma avançou para uma nova vida, entusiasmada por ser a Luz, que era muito especial, e entusiasmada por ser aquela parte especial a que se chama Perdão. E a Pequena Alma esperou ansiosamente pela oportunidade de se experimentar como Perdão, e por agradecer a qualquer outra alma que o tornasse possível. E, em todos os momentos dessa nova vida, sempre que uma nova alma aparecia em cena, quer essa nova alma trouxesse alegria ou tristeza - principalmente se trouxesse tristeza - a Pequena Alma pensava no que Deus lhe tinha dito. Lembra-te sempre, - Deus aqui tinha sorrido - não te enviei senão anjos!.
*Neale Donald Walsch
A cada instante a voz do amor nos circunda e partimos em direção ao céu profundo Por que deter-se a olhar ao redor? Já estivemos antes por esses espaços e até os anjos os reconhecem Retornemos ao mestre, que é lá nosso lugar Estamos acima das esferas celestes, somos superiores aos próprios anjos Além da dualidade nossa meta é a glória suprema Quão distante está o mundo terreno do reino da pura substância? Por que descemos tanto? Apanhemos nossas coisas e subamos mais uma vez Sorte não nos faltará ao entregarmos de novo nossas almas Nossa caravana tem por guia Mustafá, a glória do mundo Ao contemplar sua face a lua partiu-se em dois pedaços Não pôde suportar tanta beleza e fez-se feliz mendicante frente àquela riqueza A doçura que o vento nos traz é o perfume de seus cabelos A face que traz consigo a luz do dia reflete o brilho de seus pensamentos Olha bem dentro de teu coração e vê a lua que se despedaça Por que teus olhos ainda fogem dessa visão maravilhosa? O homem emerge do oceano da alma como os pássaros do mar Como há de ser terra seca o lugar do descanso final de uma ave nascida nesse mar? Somos pérolas desse oceano. A ele pertencemos. Cada um de nós. Seguimos o movimento das ondas que se arrastam até a terra e então retornam ao mar E eis que surge a última onda e arremessa o navio do corpo à terra E quando essa onda regressa naufraga a alma em seu oceano E este é o momento da união.
*RUMI